Finvity
Redesenhando uma plataforma tributária complexa para melhorar clareza e tomada de decisão
São paulo, Brasil

A Finvity é uma plataforma SaaS voltada para gestão patrimonial, tributária e sucessória.
Ela é utilizada por advogados, assessores financeiros e estruturas mais sofisticadas como multi-family offices.
O problema central não era estético — era estrutural.
Estamos falando de um sistema que lida com:
- Regras fiscais pouco padronizadas
- Múltiplas fontes de dados
- Decisões financeiras críticas
Nesse contexto, qualquer ruído na interface vira erro, retrabalho ou insegurança.
Quando o sistema funciona, mas exige esforço demais
Antes do redesenho, a plataforma cumpria seu papel — mas com custo alto para o usuário.
Tarefas importantes, como cadastrar um cliente ou interpretar uma análise, exigiam esforço desproporcional.
Os fluxos eram fragmentados, a entrada de dados muito manual e a leitura das informações nem sempre clara.
Na prática, muitos profissionais dependiam de exportações para conseguir explicar os dados para seus próprios clientes.
O sistema entregava valor, mas exigia energia demais para chegar até ele.
Tornando o sistema previsível
Uma das primeiras frentes foi reorganizar fluxos críticos. Um exemplo claro foi a importação de dados do Imposto de Renda. A proposta inicial dividia o processo em múltiplas etapas, separadas por tipo de tributação. Isso fazia sentido tecnicamente — mas criava um fluxo lento, fragmentado e difícil de acompanhar.
A decisão foi ir na direção oposta: consolidar tudo em uma única etapa, seguindo a lógica da própria declaração da Receita Federal.
Isso aumentava a complexidade de implementação, mas resolvia algo mais importante: o usuário não precisava reaprender o processo.
O impacto foi direto:
- Menos tempo de execução
- Menos pontos de erro
- Maior previsibilidade
Em um sistema já complexo, previsibilidade vale mais do que otimização técnica isolada.
Entrada de dados como fundação do produto
Outro ponto crítico era o cadastro de clientes.
Antes, o processo era pesado e dependia muito de preenchimento manual. Isso não só tomava tempo como também comprometia a qualidade dos dados usados nas análises.
A solução não foi “simplificar tudo”, mas criar diferentes caminhos de entrada:
- Um fluxo essencial, mais rápido e leve
- Um fluxo avançado, com maior profundidade
- Opções de preenchimento manual, via WhatsApp ou importação de IR
Essa estrutura trouxe flexibilidade sem perder consistência.
Na prática, isso permitiu que o sistema se adaptasse ao contexto de cada cliente — sem travar o processo logo no início.
Quando organizar dados vira destravar o produto inteiro
Com a entrada de dados mais estruturada, o impacto se espalhou para o restante da plataforma.
Patrimônio, dívidas e relações passaram a ser organizados de forma mais consistente. E isso mudou o comportamento do sistema como um todo.
As análises ficaram mais confiáveis e as simulações passaram a fazer mais sentido. E, principalmente, os usuários começaram a confiar mais no que estavam vendo.
De dados para decisão
A camada de visualização não foi tratada como “dashboard bonito”.
O foco era outro: ajudar o profissional a tomar decisão — e explicar essa decisão para outra pessoa.
Isso guiou a construção de:
- Análises de risco
- Evolução patrimonial
- Relatórios exportáveis
A pergunta não era “isso está claro na tela?” mas era: “isso consegue ser explicado para um cliente final?”. Essa mudança de perspectiva altera completamente o nível da interface.
Um produto mais coerente como um todo
Além dos fluxos e da estrutura de dados, houve uma evolução importante na consistência do produto.
A plataforma passou a ter uma identidade mais alinhada com o seu público — mais sóbria, mais clara e menos fragmentada.
Essa mudança também se estendeu para fora do produto, com o redesign completo do site institucional:
Mais do que estética, isso ajudou a alinhar expectativa, posicionamento e experiência.
O que mudou na prática
Os ganhos não vieram de uma única feature, mas do conjunto:
- Menos esforço manual no cadastro
- Fluxos mais rápidos e previsíveis
- Maior clareza na leitura de dados
- Melhor base para análises e simulações
- Mais confiança no uso do sistema
Trabalhando com complexidade real
Projetar para o contexto tributário brasileiro não permite simplificações ingênuas.
Parte do trabalho foi aceitar isso — e usar o próprio sistema como referência.
Ao alinhar fluxos com modelos já conhecidos (como o IR), foi possível reduzir a carga cognitiva sem perder precisão. Nem toda complexidade deve ser removida. Em muitos casos, ela precisa ser bem representada.
Onde o sistema ainda não escala
Apesar dos avanços, o modelo atual ainda é centrado em indivíduo ou casal.
Isso funciona bem em muitos casos, mas começa a falhar quando entram estruturas familiares mais complexas:
- múltiplos herdeiros
- diferentes fontes de renda
- relações mais profundas entre membros
Esse limite não é de interface, é de arquitetura. Uma evolução natural do produto seria migrar para um modelo baseado em entidades e relações, capaz de representar melhor esses cenários.
Aprendizados
Esse projeto reforçou alguns pontos importantes: Sistemas complexos não precisam ser simplificados, precisam ser organizados porque algumas complexidades não são possíveis de serem simplificadas no sistema tributário brasileiro.





